quinta-feira, 14 de maio de 2009

“As velas ardem até ao fim” de Sándor Márai


Entusiasmada que fiquei com a “descoberta” deste autor, iniciei de imediato a leitura de mais um dos seus romances; “As velas ardem até ao fim” a qual também já terminei. E devo dizer que, mais uma vez, era grande a dificuldade que sentia quando tinha que o largar embora, por outro lado, gostasse de prolongar a sua leitura e me custasse ver o fim a aproximar-se.

Romance muito interessante, de escrita muito poética, simples mas de grande riqueza. Mais uma vez explora sentimentos como o amor, a paixão, a fidelidade, a traição mas, essencialmente a amizade, sentimento que descreve com enorme profundidade e lucidez.

Dois amigos inseparáveis na sua juventude, reencontram-se após quarenta anos de completo afastamento durante os quais cada um segue intencionalmente um percurso distinto.
Ambos viveram esse distanciamento aguardando este reencontro, tão fundamental para exorcizar os fantasmas que se adivinham existir. Contudo, o desvendar destes, deixa a dado momento de ser fundamental tal é a intensidade do que se lê.

Estes dois amigos são os narradores do romance e, ao mesmo tempo, as personagens principais.
Ao longo de um jantar de reencontro, à luz das velas, cabe a um deles, ao anfitrião, ir reconstituindo o passado, numa tentativa de decifrar os tais comportamentos inexplicáveis (já entrevistos pelo leitor, a sua existência, não a sua essência), tidos há quarenta anos. Tudo isto se vai passando perante o quase mutismo do seu convidado o que faz com que a intervenção do anfitrião se aproxime um pouco de uma reflexão introspectiva.

Recomendo vivamente.

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